Em sua primeira edição do ano, a maior (?) revista semanal do país trouxe, escondida acima do nome, chamada para matéria sobre o "relevante" papel que o Tribunal de Contas da União (TCU) vem desempenhando nos últimos anos. O texto da chamada é bastante interessante: "como o TCU impede que o nosso dinheiro vá para o bolso dos malandros". A matéria em si seria irretocável, se não fosse por um pequeno detalhe: está totalmente focada em obras do governo federal atualmente "na mira" daquele órgão fiscalizador, braço auxiliar do Congresso Nacional. Talvez também seria o caso de mostrar se o furor fiscalizatório do TCU sempre esteve presente em sua história; ou se é coisa recente. Não se questiona, de forma alguma, a necessidade de órgãos fiscalizadores que garantam a correta aplicação dos recursos públicos. No entanto, não se pode usar "dois pesos e duas medidas". Além disso, se o assunto fosse mesmo relevante, mereceria a capa.
Mas, a parte mais interessante não está na matéria propriamente dita, e sim na Carta ao Leitor (eufemismo que designa o editorial daquela publicação). Ali, escondida no cipoal elogioso ao papel tribunal, está escrito que ele é bem diferente de seus congêneres estaduais, mais por aquilo que estes não fazem: fiscalizar a aplicação do dinheiro público. Assim como a pirotecnia do TCU recebeu tratamento nobre, os que os TCE's deixam de fazer também deveria ser pauta da publicação. A começar pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, que ninguém sabe se funciona. Ou será que a sigla partidária que governa o estado há mais de dez anos é motivo para que o TCE paulista seja acéfalo?
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