quinta-feira, 13 de maio de 2010

Que bandeira é esta?

A data bem que poderia passar em branco, mas, agindo assim é o mesmo que aceitar este passado escravocrata e este presente racista. Só para constar, os últimos versos do Canto IV do épico Navio Negreiro, de Castro Alves. A grafia é a mesma da época que em foi escrito. Não precisa mais.

IV
Existe um povo que a bandeira empresa
P'rá cobrir tanta infâmia e cobardia!
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em anto impuro de bacante fria!
Meu Deus! Meus Deus! Mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?
Silêncio. Musa...Chora, e chora tanto
Que o pavilhão se lave com teu pranto!
Auriverde pendão da minha terra,
Que a Brisa do Basil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas dividas da esperança...
Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança,
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!

Fatalidade atroz que a mente esmaga!
Extingue nesta hora o brigue imundo
O trilho que Colombo abriu nas vagas,
Como um íris no pélago profundo!
Mas é infâmia demais! Da etérea plaga
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo!
Andrada! Arranca esse pendão dos ares!
Colombo! Fecha a porta dos teus mares!

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