Ah, Hildegard, quanta elegância, quanto estilo. Morro, aqui, mais um pouco de inveja por tão belo texto. Vale repetí-lo quantas vezes forem necessárias, até que o maior número possível de pessoas a ele tenham acesso. Vale a leitura e, sobretudo, vale também a reflexão. Para efeito de temporalidade: o texto escrito em 8 de setembro fazia referências às tais "marchas contra a corrupção", ocorridas no dia anterior.
Ontem, postei no Twitter:
“O que acho desses “movimento” anti-corrupção mesclando “gatos & ratos”: que a demonização da política é o atalho mais curto para uma ditadura”.
Em seguida, complementei:
“Quem já viveu uma ditadura tem que estar atento e forte, sempre alerta, pois foi com esse discurso de “ladrões” que Lacerda incendiou o Brasil”.
Enfim, no espaço máximo de 140 caracteres, expressei minha opinião, que, como bem diz meu “lema”, pode não ser a melhor opinião, pode não ser a sua opinião, mas é a minha opinião….
E sabem o que aconteceu? Recebi como retorno, de uma certa @maria_lima, que não conheço, dois comentários sucessivos. Para o primeiro post: “decadente ridicula!”. Para o segundo: “Discurso imbecil!”…
Só então, dada a grita indignada dos demais seguidores do Twitter, eu soube tratar-se, a desbocada, da coordenadora de política da sucursal de Brasília do jornal O Globo! Eu, que convivi em O Globo – onde “nasci” como jornalista e trabalhei mais de três décadas – com os educadíssimos irmãos Roberto, Rogério e Ricardo Marinho, o finíssimo Padilha, o rigoroso mas sempre correto Evandro Carlos de Andrade, o cavalheiro José Augusto Ribeiro, o sempre amável Carlos Chagas, o elegante Milton Abirached, o sensível Pedro Gomes, o “lord” Carlos Menezes, o impecável Ali Kamel, o fraterno Agostinho Vieira, o cordial Ascânio Seleme, o discreto Rodolfo Fernandes e outros companheiros de grande categoria, levei um susto. Será esta a nova orientação de comportamento das Organizações? Não acredito…
Foi então que, puxando pela cabeça, lembrei-me de um post que recebi, no ano passado, quando, novata, ingressei no Twitter, enviado por “@maitêproença”, me pedindo voto para Maria Lima, para um prêmio de mulher na imprensa. Como se tratava da Maitê, que aprecio, eu acreditei, votei e respondi à atriz, ainda via Twitter, informando o que fizera. Que mico! Fui alertada pelos seguidores que “@maitêproença” era um perfil falso, provavelmente inventado por alguém que queria emplacar o prêmio da tal candidata, que aliás ganhou o dito troféu e soltou foguete. É certamente uma ascendente. Sobe às alturas de uma alpinista…
Agora, vou dizer a vocês, neste espaço que não me limita, o que penso de um movimento “anti-corrupção”, convocado pelas redes sociais e inflado por lideranças empresariais, por uma imprensa muitas vezes comprometida com seus próprios interesses e uma canastra de senadores de diferentes naipes que não se combinam. O que acho é que falta objetividade…
Para que os gritos contra a corrupção não ecoem no vazio e não se limitem a um exercício coletivo de catarse, a uma reunião esporrenta sob o sol antes da chopada, é preciso ter um foco. Exemplo: anos atrás propus, numa coluna, que todas as pessoas em funções públicas neste país fossem obrigadas por lei a manter informações detalhadas sobre sua evolução patrimonial, sempre atualizadas na internet, acessíveis a todos, a partir de data anterior aos cargos. Essa obrigação se estenderia aos cônjuges e ao núcleo familiar do personagem. Simples e transparente, não? Assim, saberíamos quando, onde e como o parlamentar tal enriqueceu, o prefeito ou governador ou presidente da estatal comprou seu avião particular. Uma passeata com essa proposta seria bem mais frutífera, não acham?…
Agora me perguntem se apareceu um legislador, um deputado, um senador sequer interessado em propor uma lei com esse fim? NENHUM! Porque o que de fato se deseja não é “acabar com a corrupção”, esse objetivo vago, o que se quer é manipular a opinião pública em prol de seus interesses particulares, sejam eles políticos, profissionais ou empresariais…
Hoje, converso com mulheres arrependidas por terem, em março de 1964, participado da tal Marcha da Família com Deus pela Liberdade, que deu no que deu. Elas saíram às ruas de terço na mão, insufladas pelo seu ídolo Carlos Lacerda, e pediam aos gritos e em faixas o impeachment de João Goulart, o que foi usado como justificativa para o golpe militar. Inocentes úteis, coitadas, bem intencionadas, servindo à ambição ilimitada de um político que errou no cálculo, o tiro saiu pela culatra e ele próprio foi perseguido, se arrependeu, criou a tal Frente Ampla com Jango e JK, lembram?…
Bem, isso é História, e a História deve ser contada e recontada, para que os erros do passado não se repitam. Vivemos um novo tempo. O Brasil não é o mesmo, nem as pessoas, muito menos as nossas Forças Armadas. Mas há um fato novíssimo: as redes sociais. Poderosas, avassaladoras, incontroláveis. São elas que agora nos obrigam, a nós, os formadores de opinião, a ter uma responsabilidade muito maior. Devido a elas, mais do que nunca, devemos ser, nós, os jornalistas, ainda mais consequentes, sérios e cuidadosos antes de ajudar a acender qualquer pavio, que não sabemos que comprimento terá e que incêndios poderá provocar. Para que no futuro algumas “marias lima” não se arrependam por terem confundido experiência com decadência…
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Com ou sem nota?
Estava tentado a escrever sobre as tais marchas contra a corrupção, a mais nova onda no país. Mas, confesso, não me sentia tão estimulado. Não queria alimentar este surto de udenimos extemporâneo que tomou conta da sociedade endinheirada, que está perdida e sem bandeira política. Eis, então, que me encontro o texto de Walter Hupsel, no Blog On the Rocks. Para mim, definitivo. Tanto que estou reproduzindo-o com sentimento de dever cumprido.
No dia 7 de setembro, data em que se comemora a independência do Brasil, passeatas contra a corrupção tomaram as ruas de várias cidades. Segundo seus organizadores, o movimento teria tomado força por conta da absolvição da deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF).
Pauta mais que legítima. A corrupção é um mal que assola o país, e pior, é um dos problemas cuja exata dimensão não se tem. Revela uma crise das instituições, mina os poderes e drena uma imensidão de dinheiro que deveria ser aplicado em áreas essenciais.
Se corrompe porque se acredita que outros farão o mesmo, que o dinheiro drenado não seria usado como deveria. Isso se espalha e, muitas vezes, é visto como estratégia de sobrevivência. Uma "equalização" das vantagens comparativas.
Mas, a passeata foi mesmo contra o que? Pela saída de Jaqueline (que, na sua defesa alega que os fatos de corrupção foram anteriores ao mandato e que, logo, não poderia ser julgada)? Contra o voto secreto no Congresso, que possibilitou a camaradagem dos deputados na absolvição da colega? Ou contra os políticos em geral?
Eles, os organizadores, respondem: "guerra contra o mau político, contra a corrupção que assola nas esferas federal, estaduais e municipais, contra as obras superfaturadas, contra as licitações viciadas e fraudulentas, contra os desvios de verbas…"
Pois é. "Contra a corrupção", contra todos, é difuso, não tem alvo. Mas, carrega, subliminarmente, que é contra a corrupção de agentes do Estado, em especial do Legislativo e do Executivo (curiosamente, no discurso, o Judiciário sequer é citado. Este poder que, muitas das vezes, é tolerante com a corrupção alheia).
Mas, ao mesmo tempo, os organizadores parecem se esquecer que existe a corrupção porque existe o corrupto e o corruptor, e que este último não é — via de regra — agente público. E quem é o corruptor? Quem também é responsável pela drenagem de recursos que afeta toda a população? Os "políticos"? Sim, também, mas não só!
É, por exemplo, aquele médico que tem dois preços, que ao final da consulta pergunta se o paciente vai querer nota. Se quiser, o preço é maior, claro, pois terá que pagar imposto.
O quanto de imposto deixa de ser pago assim? Mas, para o médico que cobra mais barato sem a nota, isso pouco importa já que ele joga na vala comum o dinheiro dos tributos: "Não pago porque vão roubar em Brasília". E o paciente pede sem nota. E as grandes doadoras de dinheiro para as campanhas políticas, as construtoras e outras concessionárias de serviços públicos? São altruístas?
E se pensarmos nos comerciantes que sonegam, não emitem nota fiscal, podem vender seus produtos mais baratos que o concorrente "honesto". Assim, vende mais, ganhando mercado da concorrência. Esta, por sua vez, ou se conforma com a perda relativa de mercado ou passa a usar a mesma estratégia, evitando os impostos pra vender mais barato ao consumidor. Questão de sobrevivência.
As passeatas contra a corrupção, em que pese sua legitimidade, padecem de foco, de um alvo concreto. E, exatamente por isso, escolhe o caminho mais fácil: aponta o dedo para os outros, para os "políticos em geral", e se "esquece" de pedir a nota no consultório.
Mas tudo bem, resolvemos isso pagando um cafezinho para o guarda, que é camarada e me deixa estacionar aqui por alguns minutos. E dormiremos tranquilamente
Com ou sem nota?
Por Walter Hupsel No dia 7 de setembro, data em que se comemora a independência do Brasil, passeatas contra a corrupção tomaram as ruas de várias cidades. Segundo seus organizadores, o movimento teria tomado força por conta da absolvição da deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF).
Pauta mais que legítima. A corrupção é um mal que assola o país, e pior, é um dos problemas cuja exata dimensão não se tem. Revela uma crise das instituições, mina os poderes e drena uma imensidão de dinheiro que deveria ser aplicado em áreas essenciais.
Se corrompe porque se acredita que outros farão o mesmo, que o dinheiro drenado não seria usado como deveria. Isso se espalha e, muitas vezes, é visto como estratégia de sobrevivência. Uma "equalização" das vantagens comparativas.
Mas, a passeata foi mesmo contra o que? Pela saída de Jaqueline (que, na sua defesa alega que os fatos de corrupção foram anteriores ao mandato e que, logo, não poderia ser julgada)? Contra o voto secreto no Congresso, que possibilitou a camaradagem dos deputados na absolvição da colega? Ou contra os políticos em geral?
Eles, os organizadores, respondem: "guerra contra o mau político, contra a corrupção que assola nas esferas federal, estaduais e municipais, contra as obras superfaturadas, contra as licitações viciadas e fraudulentas, contra os desvios de verbas…"
Pois é. "Contra a corrupção", contra todos, é difuso, não tem alvo. Mas, carrega, subliminarmente, que é contra a corrupção de agentes do Estado, em especial do Legislativo e do Executivo (curiosamente, no discurso, o Judiciário sequer é citado. Este poder que, muitas das vezes, é tolerante com a corrupção alheia).
Mas, ao mesmo tempo, os organizadores parecem se esquecer que existe a corrupção porque existe o corrupto e o corruptor, e que este último não é — via de regra — agente público. E quem é o corruptor? Quem também é responsável pela drenagem de recursos que afeta toda a população? Os "políticos"? Sim, também, mas não só!
É, por exemplo, aquele médico que tem dois preços, que ao final da consulta pergunta se o paciente vai querer nota. Se quiser, o preço é maior, claro, pois terá que pagar imposto.
O quanto de imposto deixa de ser pago assim? Mas, para o médico que cobra mais barato sem a nota, isso pouco importa já que ele joga na vala comum o dinheiro dos tributos: "Não pago porque vão roubar em Brasília". E o paciente pede sem nota. E as grandes doadoras de dinheiro para as campanhas políticas, as construtoras e outras concessionárias de serviços públicos? São altruístas?
E se pensarmos nos comerciantes que sonegam, não emitem nota fiscal, podem vender seus produtos mais baratos que o concorrente "honesto". Assim, vende mais, ganhando mercado da concorrência. Esta, por sua vez, ou se conforma com a perda relativa de mercado ou passa a usar a mesma estratégia, evitando os impostos pra vender mais barato ao consumidor. Questão de sobrevivência.
As passeatas contra a corrupção, em que pese sua legitimidade, padecem de foco, de um alvo concreto. E, exatamente por isso, escolhe o caminho mais fácil: aponta o dedo para os outros, para os "políticos em geral", e se "esquece" de pedir a nota no consultório.
Mas tudo bem, resolvemos isso pagando um cafezinho para o guarda, que é camarada e me deixa estacionar aqui por alguns minutos. E dormiremos tranquilamente
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Reforma tributária para quê, cara pálida?
O sistema tributário do Brasil é um dos mais injustos do mundo. Neste país paga-se impostos demais e a população tem serviços públicos de menos. É preciso reduzir a carga tributária para desonerar o setor produtivo e, desta forma, gerar mais empregos. A participação da carga tributária no Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma das riquezas produzidas no país, é muito alta, supera a casa dos 35% e não encontra paralelos em outras nações.
Esta cantilena está sempre na boca de “especialistas” que colocam seu talento a serviço das elites políticas e econômicas. Para esta gente, os males do Brasil serão resolvidos quando houver uma significativa redução dos impostos cobrados no país. Quem vê, lê e ouve esta choradeira imagina que venha de gente que deixa até a alma nos cofres do Estado. É aí que está o engano. Os que reclamam são exatamente aqueles que pouco ou quase nada pagam a título de impostos.
No Brasil, paga-se proporcionalmente mais impostos para comprar um remédio no balcão da farmácia do que para adquirir um helicóptero em São Paulo. A situação indica o modelo injusto de tributação, que faz com que a população mais pobre pague mais do que os ricos, tornando o sistema uma fonte de concentração de renda. Sim, o sistema precisa mudar, mas, não da forma que querem os ricos, que já pagam muito pouco e ainda não querem pagar nada.
Especialistas na questão tributária defendem que a arrecadação de impostos vá em direção à distribuição de riquezas. Em São Paulo, por exemplo, o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias (ICMS) sobre medicamentos é de 18%; e para um helicóptero, 7%.
A chamada tributação indireta, avaliam os especialistas, é a que mais contribui para a chamada regressividade da tributação por atingirem de forma desigual o contribuinte.
ICMS, Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN), Programa de Integração Social (PIS), entre outros, acabam repassados aos preços de bens, produtos e serviços. E quem acaba pagando são os trabalhadores. Dessa forma, quem ganha menos, paga mais.
Tributos como o Imposto de Renda, o IPVA e o IPTU são calculados sobre o patrimônio e a renda. Nesta modalidade, é possível garantir que, quanto mais rico, maior será o valor recolhido, o que garante que a estrutura de cobrança funcione também para distribuir renda.
O dinheiro arrecadado pelo Estado com os impostos é destinado à execução de serviços públicos como educação, saúde, moradia, segurança, entre outros. E os ricos gritam contra a carga tributária porque não precisam destes serviços. Eles podem pagar escolas particulares para seus filhos, morar em condomínios que mais parecem fortalezas e ter convênios médicos particulares, que não os obriga a ficar em filas ou esperar meses por um simples exame.
Esta cantilena está sempre na boca de “especialistas” que colocam seu talento a serviço das elites políticas e econômicas. Para esta gente, os males do Brasil serão resolvidos quando houver uma significativa redução dos impostos cobrados no país. Quem vê, lê e ouve esta choradeira imagina que venha de gente que deixa até a alma nos cofres do Estado. É aí que está o engano. Os que reclamam são exatamente aqueles que pouco ou quase nada pagam a título de impostos.
No Brasil, paga-se proporcionalmente mais impostos para comprar um remédio no balcão da farmácia do que para adquirir um helicóptero em São Paulo. A situação indica o modelo injusto de tributação, que faz com que a população mais pobre pague mais do que os ricos, tornando o sistema uma fonte de concentração de renda. Sim, o sistema precisa mudar, mas, não da forma que querem os ricos, que já pagam muito pouco e ainda não querem pagar nada.
Especialistas na questão tributária defendem que a arrecadação de impostos vá em direção à distribuição de riquezas. Em São Paulo, por exemplo, o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias (ICMS) sobre medicamentos é de 18%; e para um helicóptero, 7%.
A chamada tributação indireta, avaliam os especialistas, é a que mais contribui para a chamada regressividade da tributação por atingirem de forma desigual o contribuinte.
ICMS, Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN), Programa de Integração Social (PIS), entre outros, acabam repassados aos preços de bens, produtos e serviços. E quem acaba pagando são os trabalhadores. Dessa forma, quem ganha menos, paga mais.
Tributos como o Imposto de Renda, o IPVA e o IPTU são calculados sobre o patrimônio e a renda. Nesta modalidade, é possível garantir que, quanto mais rico, maior será o valor recolhido, o que garante que a estrutura de cobrança funcione também para distribuir renda.
O dinheiro arrecadado pelo Estado com os impostos é destinado à execução de serviços públicos como educação, saúde, moradia, segurança, entre outros. E os ricos gritam contra a carga tributária porque não precisam destes serviços. Eles podem pagar escolas particulares para seus filhos, morar em condomínios que mais parecem fortalezas e ter convênios médicos particulares, que não os obriga a ficar em filas ou esperar meses por um simples exame.
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
"Deus, sim. Igreja, não!"
Jovens espanhois, indignados com os custos da visita do Papa Bento XVI ao país para participar da Jornada Mundial da Juventude, vão para as ruas e criticam duramente o governo por assumir os custos do evento, estimados em 25 milhões de Euros. Consideram a medida descabida pelo momento econômico difícil que o país atravessa; entre os jovens, na faixa etária dos 18 aos 24 anos, o desemprego atinge 40%. As críticas mais duras são direcionadas à Igreja Católica. Cartazes deixaram claro o alvo da revolta: "Deus, sim. Igreja, não!". Os manifestantes não aceitam a destinação de recursos públicos para o evento de uma igreja, quando o Estado é laico e existem muitos outros credos religiosos no país.
As reações da juventude espanhola poderiam, a primeira vista, passar por descrença e abalo na fé. Mas, não. Elas mostram apenas perda de confiança nas igrejas enquanto instituições. A fé em Deus ou em uma Força Superior, qualquer que seja ela, edifício consolidado que é, não está em questão. O que as pessoas não aceitam, não só na Espanha, como também em outros paises, é o papel que os líderes das igrejas desempenham na sociedade. A falta de sincronia entre as posições defendidas por eles e a realidade vivida pelos fiéis.
No Brasil, de 2003 a 2009, ocorreu, entre os que se declaram evangélicos, um fenômeno já conhecido dos católicos: os surgimento dos chamados "evangélicos não praticantes". São pessoas que se auto declaram evangélicas, porém, não possuem vínculos orgânicos com nenhuma igreja desta denominação religiosa. O percentual dos que admitem estar nesta situação, de acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), do IBGE, nestes seis anos passou de 4% para 14% da população. São mais de 4 milhões de pessoas.
Ainda não existem, entre estudiosos da religião, explicações consensuais para o fenômeno. Há quem atribua esta situação ao individualismo e busca de autonomia das pessoas diante das instituições. Outros consideram que "talvez as distinções denominacionais não façam para a população o mesmo sentido que fazem para religiosos e cientistas sociais".
Além destas explicações, também podem existir outras: a falta de representatividade e sintonia das igrejas com seus fieis e a realidade que os cerca. Será que os fiéis também pensam da mesma forma que pastores e padres? As interpretações que eles fazem da Bíblia serão as mesmas que fazem aqueles que comparecem aos cultos e às missas? As posições extremadas das igrejas contra a afirmação dos direitos das mulheres e dos homossexuais encontram respaldo entre os fiéis?
Esta falta de sincronismo, ideias e posições explicam o grande número de bancos vazios nas igrejas, sejam elas católicas ou evangélicas. E o surgimento dos chamados "evangélicos não praticantes". Aquilo que pastores e padres dizem nos pulpitos nem sempre encontra guarida entre aqueles que estão ouvindo.
As reações da juventude espanhola poderiam, a primeira vista, passar por descrença e abalo na fé. Mas, não. Elas mostram apenas perda de confiança nas igrejas enquanto instituições. A fé em Deus ou em uma Força Superior, qualquer que seja ela, edifício consolidado que é, não está em questão. O que as pessoas não aceitam, não só na Espanha, como também em outros paises, é o papel que os líderes das igrejas desempenham na sociedade. A falta de sincronia entre as posições defendidas por eles e a realidade vivida pelos fiéis.
No Brasil, de 2003 a 2009, ocorreu, entre os que se declaram evangélicos, um fenômeno já conhecido dos católicos: os surgimento dos chamados "evangélicos não praticantes". São pessoas que se auto declaram evangélicas, porém, não possuem vínculos orgânicos com nenhuma igreja desta denominação religiosa. O percentual dos que admitem estar nesta situação, de acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), do IBGE, nestes seis anos passou de 4% para 14% da população. São mais de 4 milhões de pessoas.
Ainda não existem, entre estudiosos da religião, explicações consensuais para o fenômeno. Há quem atribua esta situação ao individualismo e busca de autonomia das pessoas diante das instituições. Outros consideram que "talvez as distinções denominacionais não façam para a população o mesmo sentido que fazem para religiosos e cientistas sociais".
Além destas explicações, também podem existir outras: a falta de representatividade e sintonia das igrejas com seus fieis e a realidade que os cerca. Será que os fiéis também pensam da mesma forma que pastores e padres? As interpretações que eles fazem da Bíblia serão as mesmas que fazem aqueles que comparecem aos cultos e às missas? As posições extremadas das igrejas contra a afirmação dos direitos das mulheres e dos homossexuais encontram respaldo entre os fiéis?
Esta falta de sincronismo, ideias e posições explicam o grande número de bancos vazios nas igrejas, sejam elas católicas ou evangélicas. E o surgimento dos chamados "evangélicos não praticantes". Aquilo que pastores e padres dizem nos pulpitos nem sempre encontra guarida entre aqueles que estão ouvindo.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Escândalo de Campinas: empresário é filiado ao PSDB
Aí esta uma ótima oportunidade para o Ministério Público Estadual mostrar que, em sua atuação não vê ideologia ou cor partidária.
Um dos sete empresários detidos por supostas fraudes em licitações públicas em Campinas, Luiz Arnaldo Pereira Mayer, é filiado ao PSDB da capital. Ele é dono da Saenge Engenharia, empreiteira do setor de saneamento investigada no escândalo campineiro e que firmou R$ 467,7 milhões em contratos, diretos ou por meio de consórcios, com a Sabesp no governo dos tucanos José Serra e Alberto Goldman (2007-2010).
Mayer foi preso temporariamente em 20 de maio em operação conjunta da polícia e do Ministério Público (MP), acusado de integrar um suposto esquema que fraudava licitações da Sanasa, companhia de saneamento de Campinas, na gestão do prefeito Dr. Hélio (PDT). Ele permaneceu detido por cinco dias. Sócio majoritário da Saenge, com cota de R$ 17,5 milhões, ele foi flagrado em escutas telefônicas nas quais mostra-se preocupado com os rumos de seus negócios na Sabesp.
Em uma das conversas, seu interlocutor (não identificado) afirma que o atual secretário estadual de Desenvolvimento Metropolitano, Edson Aparecido, o ex-presidente do diretório municipal do PSDB José Henrique Reis Lobo e o deputado federal tucano Ricardo Trípoli estariam “intercedendo” em negócios de outro empresário envolvido no escândalo de Campinas. Todos negam conhecer Mayer.
Contatos políticos
No relatório fruto das investigações, os promotores apontam que o “conteúdo dos diálogos deixa muito evidente que as questões referentes às suas (de Mayer) contratações públicas estão intimamente ligadas a contatos e relacionamentos políticos” e que “os indicativos de fraudes e corrupção são claros, sendo necessário destacar que não é a primeira vez, no presente relatório, onde há menção de irregularidades em contratos públicos da Sabesp”.
Mas uma relação de filiados do PSDB paulistano recadastrados em 2009, disponível no site do partido, mostra que o próprio Mayer é um filiado tucano. Segundo um correligionário da capital, o empreiteiro integra o quadro partidário da legenda desde a fundação, em 1988, e foi um dos fundadores do diretório zonal no bairro do Butantã, zona oeste da cidade.
Cinco anos antes, em 1983, Mayer criou a Saenge Engenharia que, de 1995 até hoje, já fechou R$ 998,6 milhões em contratos com a Sabesp, diretamente ou por meio de consórcios com outras empresas. Uma delas é a Gerentec Engenharia, que tem como sócio o engenheiro Umberto Semeghini. Primo do secretário estadual de Gestão, Júlio Semeghini, ele foi diretor da Sabesp de 2007 e janeiro deste ano, conforme revelou o JT na semana passada. Em 1999, Gerentec e Saenge fecharam contrato de R$ 9 milhões com a Sabesp.
Investigados
Luiz Arnaldo Pereira Mayer não é o único empreiteiro envolvido nas supostas fraudes em Campinas que tem contratos com a Sabesp. No último dia 11, o JT revelou o teor de escutas do MP que mostram o empresário Gregório Cerveira preocupado com o fato de o escândalo campineiro poder “contaminar” seu negócios com a Sabesp.
Cerveira tem participação na Hydrax, na Camp Saneamento e em três consórcios que, juntos, possuem cerca de R$ 58 milhões em negócios com a estatal paulista. Para os promotores, essa preocupação também pode ser uma “indício de ilicitudes” em contratos com a Sabesp.
Sabesp nega
Questionada sobre os contratos que mantêm com a empresa de Luiz Arnaldo Mayer, a Sabesp informou, por meio de uma nota enviada pela assessoria de imprensa, que “repudia as tentativas de associar a empresa a investigações cujo alvo são outras companhias de saneamento”. O Ministério Público investiga apenas os contratos suspeitos da Sanasa, em Campinas.
A companhia ainda ressaltou que, em 8 de dezembro de 2009, representou contra a Saenge Engenharia junto à Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça devido à suspeita de formação de cartel para fraudar licitação das obras do Lote 3 do Sistema Produtor de Água Mambu/Branco da Baixada Santista.
De acordo com a Sabesp, em fevereiro de 2010, o contrato com a Saenge foi suspenso e um processo administrativo para anulação da licitação foi instaurado. Em junho de 2010, o processo foi concluído e a Saenge foi punida com a proibição de participar de licitações realizadas pela Sabesp durante o período de um ano.
Tucanos não conhecem empresário
O JT tentou falar com o empresário Luiz Arnaldo Mayer, mas não obteve sucesso. A advogada que o representa no caso de Campinas, Maria José Ferreira da Costa, disse que não está autorizada a falar sobre os contratos da empreiteira de Mayer com a Sabesp.
Em contato com a Saenge, a reportagem foi informada que Mayer não estava no local. O JT deixou recado para ele entrar em contato, mas não houve retorno.
Por meio da assessoria, o secretário estadual de Desenvolvimento Metropolitano, Edson Aparecido, eleito deputado federal pelo PSDB, reiterou que “não conhece” Mayer, apesar de o empresário ser filiado ao mesmo partido.
O deputado federal Ricardo Trípoli (PSDB) disse que “nunca ouviu falar” a respeito do empresário tucano e que não sabia que seu nome havia sido citado em escutas feitas pelo Ministério Público.
Outro citado, o ex-presidente municipal do PSDB José Henrique Reis Lobo também negou conhecer Mayer. “Não sei quem ele é e não sei se ele é do PSDB”, disse. O nome de Mayer aparece na lista de filiados tucanos no site do diretório municipal da sigla.
Um dos sete empresários detidos por supostas fraudes em licitações públicas em Campinas, Luiz Arnaldo Pereira Mayer, é filiado ao PSDB da capital. Ele é dono da Saenge Engenharia, empreiteira do setor de saneamento investigada no escândalo campineiro e que firmou R$ 467,7 milhões em contratos, diretos ou por meio de consórcios, com a Sabesp no governo dos tucanos José Serra e Alberto Goldman (2007-2010).
Mayer foi preso temporariamente em 20 de maio em operação conjunta da polícia e do Ministério Público (MP), acusado de integrar um suposto esquema que fraudava licitações da Sanasa, companhia de saneamento de Campinas, na gestão do prefeito Dr. Hélio (PDT). Ele permaneceu detido por cinco dias. Sócio majoritário da Saenge, com cota de R$ 17,5 milhões, ele foi flagrado em escutas telefônicas nas quais mostra-se preocupado com os rumos de seus negócios na Sabesp.
Em uma das conversas, seu interlocutor (não identificado) afirma que o atual secretário estadual de Desenvolvimento Metropolitano, Edson Aparecido, o ex-presidente do diretório municipal do PSDB José Henrique Reis Lobo e o deputado federal tucano Ricardo Trípoli estariam “intercedendo” em negócios de outro empresário envolvido no escândalo de Campinas. Todos negam conhecer Mayer.
Contatos políticos
No relatório fruto das investigações, os promotores apontam que o “conteúdo dos diálogos deixa muito evidente que as questões referentes às suas (de Mayer) contratações públicas estão intimamente ligadas a contatos e relacionamentos políticos” e que “os indicativos de fraudes e corrupção são claros, sendo necessário destacar que não é a primeira vez, no presente relatório, onde há menção de irregularidades em contratos públicos da Sabesp”.
Mas uma relação de filiados do PSDB paulistano recadastrados em 2009, disponível no site do partido, mostra que o próprio Mayer é um filiado tucano. Segundo um correligionário da capital, o empreiteiro integra o quadro partidário da legenda desde a fundação, em 1988, e foi um dos fundadores do diretório zonal no bairro do Butantã, zona oeste da cidade.
Cinco anos antes, em 1983, Mayer criou a Saenge Engenharia que, de 1995 até hoje, já fechou R$ 998,6 milhões em contratos com a Sabesp, diretamente ou por meio de consórcios com outras empresas. Uma delas é a Gerentec Engenharia, que tem como sócio o engenheiro Umberto Semeghini. Primo do secretário estadual de Gestão, Júlio Semeghini, ele foi diretor da Sabesp de 2007 e janeiro deste ano, conforme revelou o JT na semana passada. Em 1999, Gerentec e Saenge fecharam contrato de R$ 9 milhões com a Sabesp.
Investigados
Luiz Arnaldo Pereira Mayer não é o único empreiteiro envolvido nas supostas fraudes em Campinas que tem contratos com a Sabesp. No último dia 11, o JT revelou o teor de escutas do MP que mostram o empresário Gregório Cerveira preocupado com o fato de o escândalo campineiro poder “contaminar” seu negócios com a Sabesp.
Cerveira tem participação na Hydrax, na Camp Saneamento e em três consórcios que, juntos, possuem cerca de R$ 58 milhões em negócios com a estatal paulista. Para os promotores, essa preocupação também pode ser uma “indício de ilicitudes” em contratos com a Sabesp.
Sabesp nega
Questionada sobre os contratos que mantêm com a empresa de Luiz Arnaldo Mayer, a Sabesp informou, por meio de uma nota enviada pela assessoria de imprensa, que “repudia as tentativas de associar a empresa a investigações cujo alvo são outras companhias de saneamento”. O Ministério Público investiga apenas os contratos suspeitos da Sanasa, em Campinas.
A companhia ainda ressaltou que, em 8 de dezembro de 2009, representou contra a Saenge Engenharia junto à Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça devido à suspeita de formação de cartel para fraudar licitação das obras do Lote 3 do Sistema Produtor de Água Mambu/Branco da Baixada Santista.
De acordo com a Sabesp, em fevereiro de 2010, o contrato com a Saenge foi suspenso e um processo administrativo para anulação da licitação foi instaurado. Em junho de 2010, o processo foi concluído e a Saenge foi punida com a proibição de participar de licitações realizadas pela Sabesp durante o período de um ano.
Tucanos não conhecem empresário
O JT tentou falar com o empresário Luiz Arnaldo Mayer, mas não obteve sucesso. A advogada que o representa no caso de Campinas, Maria José Ferreira da Costa, disse que não está autorizada a falar sobre os contratos da empreiteira de Mayer com a Sabesp.
Em contato com a Saenge, a reportagem foi informada que Mayer não estava no local. O JT deixou recado para ele entrar em contato, mas não houve retorno.
Por meio da assessoria, o secretário estadual de Desenvolvimento Metropolitano, Edson Aparecido, eleito deputado federal pelo PSDB, reiterou que “não conhece” Mayer, apesar de o empresário ser filiado ao mesmo partido.
O deputado federal Ricardo Trípoli (PSDB) disse que “nunca ouviu falar” a respeito do empresário tucano e que não sabia que seu nome havia sido citado em escutas feitas pelo Ministério Público.
Outro citado, o ex-presidente municipal do PSDB José Henrique Reis Lobo também negou conhecer Mayer. “Não sei quem ele é e não sei se ele é do PSDB”, disse. O nome de Mayer aparece na lista de filiados tucanos no site do diretório municipal da sigla.
terça-feira, 19 de julho de 2011
MP como instrumento político
A seção paulista da Transparência Internacional, entidade que luta contra a corrupção, faz grave acusação: o Ministério Público de São Paulo (MPE) é seletivo em sua cruzada contra a corrupção e em defesa da moralidade na administração pública. As investigações conduzidas pelos promotores focam, exclusivamente, cidades ou administradas pelo PT ou que contam com a participação do partido. E ainda, esta atuação seletiva está inserida na estratégia do governador Geraldo Alckmin para tentar influenciar as eleições de 2012 (municipais) e 2014 (gerais).
Embora também investigue denúncias envolvendo aliados do governador tucano, o que diferencia as duas linhas de investigação é a velocidade com que elas caminham e a repercusão que têm na mídia. A "Máfia da Merenda" escolar, por exemplo, apresenta um esquema de pagamento de propinas em diversas prefeituras paulistas e, de acordo com a Transparência SP, "tem seu ápice nas gestões de Serra e Kassab na prefeitura da capital". Januário Montone - ex-secretáriode Gestão do Serra e atual secretário de Saúde de Kassab - é um dos supostos administradores públicos que receberam propinas. Outro articulador do esquema é Paulo César Ribeiro, irmão da primeira-dama Lu Alckmin e cunhado de Geraldo Alckmin. Os paulistas, no entanto, não sabem nada disso, porque os nomes deles, "num passe de magica", sumiram dos noticiários.
Por outro lado, os paulistas conhecebem bem, até a exaustão por sinal, as investigações do MPE envolvendo a administração anterior de Jandira e a atual de Jales, ambos do Partido dos Trabalhadores (PT-SP). E também, as acusações que recaem sobre a administração do prefeito Hélio de Oliveira Santos, o Dr. Hélio, de Campinas, que conta com a participação de petistas. O vice-prefeito, Demétrio Vilagra, é do partido.
As investigações do MPE começaram na Sanasa, empresa de economia mista responsável pelo saneamento básico da cidade, e envolvem o pagamento de propinas em troca de favorecimento em licitações públicas. Acossado pelos promotores do GAECO de um lado e, de outro, pela pressão da EPTV, emissora local da Rede Globo, o prefeito sangra lentamente; e já enfrenta uma Comissão Processante no Legislativo local.
Ainda de acordo com a Transparência SP, o Grupo Cepera, investigado em Campinas, tem contratos com a Sanasa de aproximadamente R$ 70 milhões. O mesmo grupo, porém, também manteve contratos que somam R$ 500 milhões com órgãos e empresas do governo do estado de São Paulo, entre eles, a Sabesp (congênere da Sanasa), a Companhia Paulista de Obras e Serviços (CPOS), o Departamento de Perícias Médicas do Estado de São Paulo, a Secretaria Estadual de Saúde, a Imprensa Oficial e o Prodesp.
"Se os indícios de corrupção são generalizados, como consta de nota emitida pelo próprio MPE, por que o foco está direcionado apenas para Campinas, e ainda por cima restritos ao Grupo Cepera)", indaga a Transparência SP.
Combater a corrupção ou quaisquer outros tipos de crimes está, de acordo com a Constituição Federal, entre as principais atribuições do Ministério Público. E, por conta disso, a sociedade espera que, neste trabalho, os promotores sejam imparciais e sem coloração partidário ou ideológica.
Embora também investigue denúncias envolvendo aliados do governador tucano, o que diferencia as duas linhas de investigação é a velocidade com que elas caminham e a repercusão que têm na mídia. A "Máfia da Merenda" escolar, por exemplo, apresenta um esquema de pagamento de propinas em diversas prefeituras paulistas e, de acordo com a Transparência SP, "tem seu ápice nas gestões de Serra e Kassab na prefeitura da capital". Januário Montone - ex-secretáriode Gestão do Serra e atual secretário de Saúde de Kassab - é um dos supostos administradores públicos que receberam propinas. Outro articulador do esquema é Paulo César Ribeiro, irmão da primeira-dama Lu Alckmin e cunhado de Geraldo Alckmin. Os paulistas, no entanto, não sabem nada disso, porque os nomes deles, "num passe de magica", sumiram dos noticiários.
Por outro lado, os paulistas conhecebem bem, até a exaustão por sinal, as investigações do MPE envolvendo a administração anterior de Jandira e a atual de Jales, ambos do Partido dos Trabalhadores (PT-SP). E também, as acusações que recaem sobre a administração do prefeito Hélio de Oliveira Santos, o Dr. Hélio, de Campinas, que conta com a participação de petistas. O vice-prefeito, Demétrio Vilagra, é do partido.
As investigações do MPE começaram na Sanasa, empresa de economia mista responsável pelo saneamento básico da cidade, e envolvem o pagamento de propinas em troca de favorecimento em licitações públicas. Acossado pelos promotores do GAECO de um lado e, de outro, pela pressão da EPTV, emissora local da Rede Globo, o prefeito sangra lentamente; e já enfrenta uma Comissão Processante no Legislativo local.
Ainda de acordo com a Transparência SP, o Grupo Cepera, investigado em Campinas, tem contratos com a Sanasa de aproximadamente R$ 70 milhões. O mesmo grupo, porém, também manteve contratos que somam R$ 500 milhões com órgãos e empresas do governo do estado de São Paulo, entre eles, a Sabesp (congênere da Sanasa), a Companhia Paulista de Obras e Serviços (CPOS), o Departamento de Perícias Médicas do Estado de São Paulo, a Secretaria Estadual de Saúde, a Imprensa Oficial e o Prodesp.
"Se os indícios de corrupção são generalizados, como consta de nota emitida pelo próprio MPE, por que o foco está direcionado apenas para Campinas, e ainda por cima restritos ao Grupo Cepera)", indaga a Transparência SP.
Combater a corrupção ou quaisquer outros tipos de crimes está, de acordo com a Constituição Federal, entre as principais atribuições do Ministério Público. E, por conta disso, a sociedade espera que, neste trabalho, os promotores sejam imparciais e sem coloração partidário ou ideológica.
terça-feira, 12 de julho de 2011
Sociedade plural e multicultural
Querem fazer crer que no Brasil está em curso uma guerra pelo controle hegemônico da sociedade. Acusam um grupo - os homossexuais - de querer impor seu comportamento, seus valores, sua forma de agir e ser. Tal premissa é falsa e esconde, nela, a incapacidade que seus defensores têm de conviver com a diferença, de aceitar que outros não são obrigados a pensar e se comportar da mesma maneira que eles.
Gays, lésbicas, travestis e transsexuais querem apenas os mesmos direitos que os outros grupos já têm: o direito de viver em sociedade sem serem discriminados, importunados e recriminados por suas opções. Em outras palavras, reforçam, aprofundam e radicalizam o caráter plural e multicultural da sociedade.
A sociedade brasileira tem espaço para todos: cristãos (católicos, protestantes e quetais), muçulmanos, umbandistas, candoblecistas, budistas, gnósticos, ateus; heterossexuais, homossexuais, bissexuais, panssexuais, etc. Todos convivendo sob o princípio da harmonia e da tolerância mútua. As opções que cada um faz não invade o limite do outro e, muito menos, afronta seus princípios e convicções. Respeite o espaço alheiro e o seu também será respeitado.
Não se deve confundir alternância, mais adequada à disputa pelo poder político e controle do Estado, com hegemonismo. Por que, para alguns, é tão difícil aceitar o outro como ele é, suas opções e condutas? O ódio, muitas vezes, esconde algo que aquele que odeia não quer ver revelado: o medo de ver refletida no odiado a sua verdadeira personalidade.
Gays, lésbicas, travestis e transsexuais querem apenas os mesmos direitos que os outros grupos já têm: o direito de viver em sociedade sem serem discriminados, importunados e recriminados por suas opções. Em outras palavras, reforçam, aprofundam e radicalizam o caráter plural e multicultural da sociedade.
A sociedade brasileira tem espaço para todos: cristãos (católicos, protestantes e quetais), muçulmanos, umbandistas, candoblecistas, budistas, gnósticos, ateus; heterossexuais, homossexuais, bissexuais, panssexuais, etc. Todos convivendo sob o princípio da harmonia e da tolerância mútua. As opções que cada um faz não invade o limite do outro e, muito menos, afronta seus princípios e convicções. Respeite o espaço alheiro e o seu também será respeitado.
Não se deve confundir alternância, mais adequada à disputa pelo poder político e controle do Estado, com hegemonismo. Por que, para alguns, é tão difícil aceitar o outro como ele é, suas opções e condutas? O ódio, muitas vezes, esconde algo que aquele que odeia não quer ver revelado: o medo de ver refletida no odiado a sua verdadeira personalidade.
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