Finalmente, o grande dia chegou. O país inteiro aguardava, ansisoso, a lista dos 23 jogadores que o técnico Dunga levará para a África do Sul, onde o Brasil vai tentar seu sexto título mundial de futebol. Goste-se ou não da lista, deve-se elogiar Dunga pela coerência e a lealdade que manteve com a maioria do grupo de jogadores que estará em campo na primeira Copa do Mundo disputada no continente africano.
Foi leal com aqueles que estiveram ao seu lado em todos os momentos da seleção depois da Copa da Alemanha. Ainda na Copa América e mesmo durante as eliminatórias, quando a seleção não empolgava e o técnico sofria toda sorte de pressões, o grupo de jogadores manteve-se fiel e leal ao treinador que, em troca, foi coerente no momento de definir os atletas que irão à Copa.
Será o seu batismo de fogo como treinador; as disputas até agora foram apenas, como se diz, "para curtir-lhe o couro". Dunga foi chamado pelo presidente da CBF, Ricardo Teixeira, para comandar um amplo processo de renovação da seleção; e bem ou mal, ele o fez. Basta lembrar que, do antigo grupo, poucos são os jogadores que se mantiveram na seleção.
O momento para analisar o sistema de jogo da seleção será outro, por hora, diga-se que, se o país quiser saber como jogará a o Brasil na África do Sul, basta olhar no retrovisor da história e mirar a equipe que conquistou o tetra nos EUA, em 1994. O meio de campo, que é onde se decide uma partida de futebol, é composto majoritarimente por atletas com características mais defensivas que de criação e ataque. Os únicos que apresentam alguma característica desta natureza são Júlio Batista e Kaká; e ainda assim, não são jogadores cerebrais, atletas que "pensam" jogo, armam e criam jogadas, que se antecipam e sabem o que fazer antes mesmo da bola chegar, enfim, estetas.
Agora, é esperar e, sobretudo, torcer. O grupo está definido. Mas, não espere, a torcida, uma seleção brasileira empolgante, envolvendo adversários, impondo placares elásticos e realizando jogos antológicos. Este grupo não chega a tanto. É competitivo e o Brasil é um dos favoritos, porém, mais pela fragilidade dos adversários.
terça-feira, 11 de maio de 2010
sábado, 1 de maio de 2010
Incômodo silêncio
O juiz Baltazar Garzón tornou-se conhecido no Brasil quando pediu, e a Justiça inglesa aceitou, a prisão do general Augusto Pinochet, que governou o Chile entre 1973 e 1989. Garzón pretendia julgar o velho general por crimes contra a humanidade. Seu governo foi um dos mais violentos e sangrentos entre todas as ditaduras que assombraram a América do Sul nos anos 1960 e 1970. A prisão de Pinochet em Londres constrangeu as relações entre a Inglaterra e o Chile, por conta do pedido do juiz espanhol de extraditar o ditador para a Espanha.
O assunto foi amplamente divulgado nos meios de comunicação brasileiros, mas, já se perdeu na poeira do tempo. Agora, novamente Garzón está no centro das atenções na Espanha, acusado de "abuso de poder" por Luciano Varela, juiz de instrução do Tribunal Supremo da Espanha, notadamente vinculado às Falanges franquistas. O "crime" de Garzón? Não aceitar que a Lei de Anistia e a Lei de Memória Histórica, promulgadas após o fim da ditadura, em 1977, impeçam a investigações de crimes lesa-humanidade, cometidos durante a ditadura de Francisco Franco.
A acusação é uma violenta reação da direita espanhola (que compreende, nas palavras do jornalista Alberto Dines, coordenador do Observatório da Imprensa, um pool de interesses empresariais, ideológicos e religiosos) às ações de Garzón, porque suas investigações sobre os escândalos de corrupção envolvendo o Partido Popular (PP) desmoralizam não apenas os projetos eleitorais do partido, mas também a herança reacionária firmemente encastelada na sociedade espanhola.
E por que este assunto, que divide a Espanha e agita a Europa, é solenemente ignorada pelos meios de comunicação brasileiros? Para Alberto Dines, mencionar a direita espanhola significa mencionar a Opus Dei. "E a prelazia pessoal, queridinha do Papa João Paulo II, firmemente infiltrada na mídia brasileira, sobretudo nos escalões intermediários, abomina holofotes. Ela prefere operar na sombra", explica o coordenador do Observatório da Imprensa.
Dines vai além e diz que a mídia européia e americana solidarizou-se com Garzón. Para jornais e revistas como New Yok Times, The Guardian, The Economist, Liberation e Le Monde investigar os desaparecimentos durante a Guerra Civil não é delito. Delito é perseguir um juiz que vai às últimas consequências em busca da verdade.
Verdade que incomoda e é olimpicamente "ignorada" pela mídia brasileira. Por aqui, reina incomodo silêncio.
O assunto foi amplamente divulgado nos meios de comunicação brasileiros, mas, já se perdeu na poeira do tempo. Agora, novamente Garzón está no centro das atenções na Espanha, acusado de "abuso de poder" por Luciano Varela, juiz de instrução do Tribunal Supremo da Espanha, notadamente vinculado às Falanges franquistas. O "crime" de Garzón? Não aceitar que a Lei de Anistia e a Lei de Memória Histórica, promulgadas após o fim da ditadura, em 1977, impeçam a investigações de crimes lesa-humanidade, cometidos durante a ditadura de Francisco Franco.
A acusação é uma violenta reação da direita espanhola (que compreende, nas palavras do jornalista Alberto Dines, coordenador do Observatório da Imprensa, um pool de interesses empresariais, ideológicos e religiosos) às ações de Garzón, porque suas investigações sobre os escândalos de corrupção envolvendo o Partido Popular (PP) desmoralizam não apenas os projetos eleitorais do partido, mas também a herança reacionária firmemente encastelada na sociedade espanhola.
E por que este assunto, que divide a Espanha e agita a Europa, é solenemente ignorada pelos meios de comunicação brasileiros? Para Alberto Dines, mencionar a direita espanhola significa mencionar a Opus Dei. "E a prelazia pessoal, queridinha do Papa João Paulo II, firmemente infiltrada na mídia brasileira, sobretudo nos escalões intermediários, abomina holofotes. Ela prefere operar na sombra", explica o coordenador do Observatório da Imprensa.
Dines vai além e diz que a mídia européia e americana solidarizou-se com Garzón. Para jornais e revistas como New Yok Times, The Guardian, The Economist, Liberation e Le Monde investigar os desaparecimentos durante a Guerra Civil não é delito. Delito é perseguir um juiz que vai às últimas consequências em busca da verdade.
Verdade que incomoda e é olimpicamente "ignorada" pela mídia brasileira. Por aqui, reina incomodo silêncio.
terça-feira, 9 de março de 2010
Está dando medo
A campanha eleitoral ainda nem começou oficialmente e o festival de insanidades, sandices e ataques raivosos já começou. O Partido da Imprensa Golpista (PIG) é a vanguarda nesta luta "do rochedo contra o mar" para tentar impedir que o atual presidente faça seu sucessor. Há pouco o Instituto Millenium promoveu, em São Paulo, um seminário, cujo propósito público era debater a situação da liberdade de expressão no Brasil, na América Latina e no mundo diante das tentativas de cerceamento. O real objetivo do encontro, entretanto, era bem outro: acordar a classe média para que, desperta, possa reagir e impedir a chegada de Dilma Rousseff ao governo.
Não é de se estranhar que o seminário tenha ocorrida pouco antes de vir a público a pesquisa do Instituto DataFolha mostrando que distância entre a Ministra da Casa Civil e o governador José Serra, principais candidatos à sucessão de Lula, tenha estreitado perigosamente (para a direita, é claro!). Acendeu a luz amarela nas hostes direitistas e o PIG se pôs a campo para articular e comandar a reação. Está valendo tudo. Como se diz nos campos de futebol varzeanos "pescoço é canela" e tome "notícias" requentadas, sem nenhum sinal de novidade. O que importa, e interessa, é desgastar a imagem da Ministra-candidata e gerar fatos políticos que possam ser explorados durante a campanha eleitoral do "porteiro de funerária".
Não esperem os eleitores brasileiros um debate de idéias entre os candidatos. O que o país irá assistir nos próximos meses mais se parececrá a uma luta de boxe, com o candidato oposicionistas, escorado no PIG, batendo na linha da cintura para tentar minar a resistência da adversária. O fator que pode, certamente, desequilibrar e, quem sabe, decidir a questão será, não há dúvida, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E a julgar pelo avanço de Dilma nas pesquisas, a movimentação lulista já começa a produzir resultados.
Não é de se estranhar que o seminário tenha ocorrida pouco antes de vir a público a pesquisa do Instituto DataFolha mostrando que distância entre a Ministra da Casa Civil e o governador José Serra, principais candidatos à sucessão de Lula, tenha estreitado perigosamente (para a direita, é claro!). Acendeu a luz amarela nas hostes direitistas e o PIG se pôs a campo para articular e comandar a reação. Está valendo tudo. Como se diz nos campos de futebol varzeanos "pescoço é canela" e tome "notícias" requentadas, sem nenhum sinal de novidade. O que importa, e interessa, é desgastar a imagem da Ministra-candidata e gerar fatos políticos que possam ser explorados durante a campanha eleitoral do "porteiro de funerária".
Não esperem os eleitores brasileiros um debate de idéias entre os candidatos. O que o país irá assistir nos próximos meses mais se parececrá a uma luta de boxe, com o candidato oposicionistas, escorado no PIG, batendo na linha da cintura para tentar minar a resistência da adversária. O fator que pode, certamente, desequilibrar e, quem sabe, decidir a questão será, não há dúvida, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E a julgar pelo avanço de Dilma nas pesquisas, a movimentação lulista já começa a produzir resultados.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Painel da paranóia
A leitura do espaço dos leitor nos jornais é um exercício interessante. Por ali, passam os mais diferentes tipos. Alguns engraçados; outros, nem tanto. Idéias, as mais estapafúrdias, são apresentadas com seriedade. O espaço do leitor é uma espécie de termômetro para medir o impacto que determinada notícia provoca na opinião pública. Mas, de uns tempos para cá, este espaço dito democrático vem sendo instrumentalizado pelos jornais e as opiniões publicadas soam como que um samba de uma nota só. Se o jornal se opõe politicamente ao governante de turno, então, todas as cartas protestando contra este governo terão imediata guarida, com publicação em tempo recorde. No entanto, missivas favoráveis vão para o fim da fila, aguardando a ordem de chegada; invariavelmente, são publicadas quando o assunto, que motivou o leitor a escrever, já esfriou e caiu no esquecimento. Sua publicação serve apensa para constar, uma espécie de mea culpa do jornal para não passar recibo de anti-democrático.
Vez ou outra, publica-se alguma carta que nos faz refletir; como aconteceu recentemente. Um leitor, a julgar pela foto, na casa dos cinquenta anos, teceu loas e mais loas ao regime militar. Segundo ele, naquela época "as pessoas podiam andar tranquilamente pelas ruas sem correrem o risco de serem assaltadas". E ainda, "não existia corrupção e o país vivia sob pleno emprego". Bem, talvez o país ao qual se refere ao leitor não seja o Brasil; talvez seja fruto de sua imaginação. Será que não sobrou a este leitor um mínimo de disposição para refletir que, se ainda vivêssemos em um regime como aquele, ele não poderia sequer publicar suas idéias insanas no jornal?
Vez ou outra, publica-se alguma carta que nos faz refletir; como aconteceu recentemente. Um leitor, a julgar pela foto, na casa dos cinquenta anos, teceu loas e mais loas ao regime militar. Segundo ele, naquela época "as pessoas podiam andar tranquilamente pelas ruas sem correrem o risco de serem assaltadas". E ainda, "não existia corrupção e o país vivia sob pleno emprego". Bem, talvez o país ao qual se refere ao leitor não seja o Brasil; talvez seja fruto de sua imaginação. Será que não sobrou a este leitor um mínimo de disposição para refletir que, se ainda vivêssemos em um regime como aquele, ele não poderia sequer publicar suas idéias insanas no jornal?
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
O PNDH e os hipócritas

“Apoiar (...) o controle democrático das concessões de rádio e TV, regulamentar o uso dos meios de comunicação social e coibir práticas contrários aos direitos humanos. Garantir (...) a fiscalização das emissoras de rádio e televisão, com vistas a assegurar o controle social sobres os meios de comunicação e penalizar, na forma da lei, as empresas que veicularem programação ou publicidade atentatória aos direitos humanos”.
“Adotar medidas destinadas a coibir práticas de violência contra movimentos sociais que lutam pelo acesso à terra. Apoiar [a criação de uma lei que condicione a reintegração de posse] à comprovação da função social da terra”.
Antes de qualquer coisa, convém esclarecer que os trechos acima não integram o Plano Nacional de Direitos Humanos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apresentado à nação recentemente. Sim, eles fazem parte de um plano de direitos humanos, porém, de outro, assinado no dia 13 de maio de 2002 pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
Lá, diferentemente de agora, não houve a grita geral de setores da chamada sociedade civil. Não houve manifestações intempestivas da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), presidida pela combativa senadora Kátia Abreu (DEM-TO), cuja posse de suas fazendas encontra-se sob investigação de procuradores federais sob suspeita de grilagem. Em 2002 a igreja católica não veio a público vociferar contra a proposta de união civil e direito de adoção dos homossexuais, acusando o decreto do PNDH de “antidemocrático”.
Ora, ora, mudaram-se as circunstâncias, portanto, nada mais natural que mudassem também as críticas. Ocorre que, o objeto criticado não difere em nada da proposta anterior do Plano Nacional de Direitos Humanos, apresentada em 2002. A única diferença é que o ocupante do Palácio do Planalto, que assinou o decreto, é outro: saiu o “príncipe dos sociólogos” e entrou o torneiro mecânico.
Em seu último ano de mandato, Lula goza de um prestígio, interna e externamente, que o “príncipe dos sociólogos” não teve ao final de seu segundo quadriênio na Presidência da República.
Aqui está a chave que abre a caixa de preconceitos, recalques e ressentimentos nutridos pela oposição política, por setores conservadores da sociedade e os principais veículos de comunicação do país, sobretudo, os dois grandes jornais paulistas e a TV Globo.
Lula se comunica diretamente com a população, fala a linguagem da gente simples e dispensa a intermediação, repele o sistema de “agenda setting”. E isto é inaceitável para os meios de comunicação brasileiros, que continuam acreditando que ainda podem influenciar a sociedade e apontar os caminhos por ela deve seguir. O rumo que a ela – a sociedade – segue, atualmente, é bem diferente daquele desejado pelos meios.
Com mais de 80% de aprovação popular e, ainda por cima, o brasileiro mais confiável, segundo pesquisa do Datafolha, Lula é um cabo eleitoral invejável. E nesta condição poderá influenciar diretamente os resultados das próximas eleições. Isto incomoda a elites social e política, que se reúnem nos salões luxuosos e passam o tempo fazendo piadinhas que exalam o mais puro e repugnante preconceito social.Impossibilitados de atacar frontalmente o presidente, a oposição política, meios de comunicação e os ricos, à maneira do lutador de boxe, tentam minar-lhe a resistência, batendo seguidamente na linha da cintura. Mas, pelo visto, a estratégia não vem dando certo. As últimas pesquisas eleitorais que o digam.
“Adotar medidas destinadas a coibir práticas de violência contra movimentos sociais que lutam pelo acesso à terra. Apoiar [a criação de uma lei que condicione a reintegração de posse] à comprovação da função social da terra”.
Antes de qualquer coisa, convém esclarecer que os trechos acima não integram o Plano Nacional de Direitos Humanos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apresentado à nação recentemente. Sim, eles fazem parte de um plano de direitos humanos, porém, de outro, assinado no dia 13 de maio de 2002 pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
Lá, diferentemente de agora, não houve a grita geral de setores da chamada sociedade civil. Não houve manifestações intempestivas da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), presidida pela combativa senadora Kátia Abreu (DEM-TO), cuja posse de suas fazendas encontra-se sob investigação de procuradores federais sob suspeita de grilagem. Em 2002 a igreja católica não veio a público vociferar contra a proposta de união civil e direito de adoção dos homossexuais, acusando o decreto do PNDH de “antidemocrático”.
Ora, ora, mudaram-se as circunstâncias, portanto, nada mais natural que mudassem também as críticas. Ocorre que, o objeto criticado não difere em nada da proposta anterior do Plano Nacional de Direitos Humanos, apresentada em 2002. A única diferença é que o ocupante do Palácio do Planalto, que assinou o decreto, é outro: saiu o “príncipe dos sociólogos” e entrou o torneiro mecânico.
Em seu último ano de mandato, Lula goza de um prestígio, interna e externamente, que o “príncipe dos sociólogos” não teve ao final de seu segundo quadriênio na Presidência da República.
Aqui está a chave que abre a caixa de preconceitos, recalques e ressentimentos nutridos pela oposição política, por setores conservadores da sociedade e os principais veículos de comunicação do país, sobretudo, os dois grandes jornais paulistas e a TV Globo.
Lula se comunica diretamente com a população, fala a linguagem da gente simples e dispensa a intermediação, repele o sistema de “agenda setting”. E isto é inaceitável para os meios de comunicação brasileiros, que continuam acreditando que ainda podem influenciar a sociedade e apontar os caminhos por ela deve seguir. O rumo que a ela – a sociedade – segue, atualmente, é bem diferente daquele desejado pelos meios.
Com mais de 80% de aprovação popular e, ainda por cima, o brasileiro mais confiável, segundo pesquisa do Datafolha, Lula é um cabo eleitoral invejável. E nesta condição poderá influenciar diretamente os resultados das próximas eleições. Isto incomoda a elites social e política, que se reúnem nos salões luxuosos e passam o tempo fazendo piadinhas que exalam o mais puro e repugnante preconceito social.Impossibilitados de atacar frontalmente o presidente, a oposição política, meios de comunicação e os ricos, à maneira do lutador de boxe, tentam minar-lhe a resistência, batendo seguidamente na linha da cintura. Mas, pelo visto, a estratégia não vem dando certo. As últimas pesquisas eleitorais que o digam.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Torcidas Organizadas

CENA 1 – Última rodada do Campeonato Brasileiro de 2009; Coritiba e Fluminense disputam partida de alto risco na capital paranaense. O vencedor garante sua permanência na elite do futebol brasileiro; mas, o clube carioca, “tantas vezes campeão”, pode escapar de mais um rebaixamento em sua história com um simples empate. Fim de jogo: placar igual, queda do “Coxa” e o Flu fica na primeira. Inconformados, torcedores do clube do Paraná invadem o gramado e iniciam uma violenta batalha campal. Armados de paus e pedras, agridem tudo o que encontram pela frente; a espiral de violência rompe os limites do estádio Couto Pereira e toma as ruas de Curitiba. A maioria dos invasores pertence à “torcida organizada” Império Verde.
CENA 2 – Fim da apuração das eleições para renovação da diretoria do Santos Futebol Clube em dezembro do ano passado. Antes mesmo da abertura da última urna, está clara a vitória de Luiz Álvaro, candidato da chapa de oposição, encerrando um longo período de mandatos consecutivos de Marcelo Teixeira na presidência do clube. Integrantes da Torcida Jovem, aliados do candidato da situação, também inconformados com o resultado, irrompem em violência e, por muito pouco, não destroem completamente o Salão de Mármore da Vila Belmiro e provocam uma tragédia.
CENA 3 – O Corinthians apresenta o veterano lateral-esquerdo Roberto Carlos, que chega para ajudar o clube a conquistar a Taça Libertadores da América no ano do centenário do clube. Mais de cinco mil pessoas estão no Parque São Jorge debaixo de sol inclemente para acompanhar a entrevista coletiva do jogador. A Folha de S. Paulo chama a atenção para o evento, destacando “a força das torcidas organizadas do clube, em particular a Gaviões da Fiel e a Pavilhão 9”. A propósito, Roberto Carlos entra no gramado segurando uma camisa, um boné e uma faixa da Gaviões. Ora, ele vai jogar pelo Corinthians ou na Gaviões da Fiel?
Não se trata, aqui, de analisar o aspecto psicológico que leva os integrantes das torcidas organizadas a agirem da forma que agem. Especialistas já disseram tudo que havia para dizer sobre isso. O que interessa, neste caso, é tentar entender o porquê destas organizações terem tanta influência na política interna dos clubes de futebol. Talvez, a primeira explicação resida na relação promíscua que as diretorias dos clubes mantêm com as torcidas. Elas recebem ingressos de graça, financiamento para viagens para acompanhar jogos do time em outras cidades e estados, subsídios para atividades de caráter, digamos, social, entre outras benesses. Em troca, apoio incondicional ao dirigente de turno.
Este tipo de relacionamento não encontra paralelos em outros países. Na Europa, por exemplo, as torcidas organizadas restringem sua atuação às arquibancadas, torcendo e cantando em apoio aos jogadores. São violentas? Não restam dúvidas. Têm histórico de racismo? Na Itália e Alemanha, principalmente. Mas, o que importa é saber que elas se auto-financiam; desenvolvem atividades que lhes permitam obter recursos financeiros para bancar seus custos. E se querem intervir nas disputas políticas das agremiações, seus integrantes se associam ao clube.
No Brasil, ao contrário, boa parte dos integrantes não é associada do clube de coração, mas, sim, da torcida; e, no entanto, se julgam no direito de intervir na vida política e administrativa dos clubes. E na maioria das vezes, valendo-se de expedientes espúrios: violência, chantagem, achaques e intimidações de toda ordem. Para obter recursos, as torcidas organizadas dos clubes brasileiros também comercializam um amplo mix de produtos em que vinculam sua imagem com a do próprio clube, sem pagar nenhum um centavo por isso.
Todas as vezes em que uma ou outra torcida protagoniza um ato de violência extrema, autoridades, governos e os próprios dirigentes de clubes vêm a público cobrar soluções; e a panacéia de sempre é o endurecimento da legislação. Não há a necessidade de novas leis ou aperfeiçoamento das já existentes: basta aplicá-las e aprender com os exemplos que vêm de fora.
No estádio Heysel de Bruxelas, em 29 de maio de 1985, na final da Copa da Europa, o futebol viveu uma das grandes tragédias de sua história: morreram por asfixia e esmagamento 39 torcedores (32 italianos) que se encontravam nas arquibancadas ocupadas pelos torcedores italianos, depois de uma carga de seus rivais ingleses antes de iniciar a final.
Por conta deste episódio, os clubes ingleses foram proibidos de disputar campeonatos promovidos pela UEFA por cinco anos. Neste período, as autoridades de sua Majestade, a Rainha Elizabeth II, adotaram medidas duras para coibir a violência nos estádios de futebol. Atualmente, o campeonato inglês é considerado um dos mais disputados do mundo e forte financeiramente. Os clubes voltaram às disputas européias e vem obtendo resultados consideráveis.
A Copa do Mundo de 2014 será no Brasil, antes, porém, é preciso equacionar e solucionar o problema da violência nos estádios, para que voltem a ser o que sempre foram: palco para jogadores talentosos desfilarem seu talento pelos gramados, com festas de cores e sons vinda das arquibancadas.
CENA 2 – Fim da apuração das eleições para renovação da diretoria do Santos Futebol Clube em dezembro do ano passado. Antes mesmo da abertura da última urna, está clara a vitória de Luiz Álvaro, candidato da chapa de oposição, encerrando um longo período de mandatos consecutivos de Marcelo Teixeira na presidência do clube. Integrantes da Torcida Jovem, aliados do candidato da situação, também inconformados com o resultado, irrompem em violência e, por muito pouco, não destroem completamente o Salão de Mármore da Vila Belmiro e provocam uma tragédia.
CENA 3 – O Corinthians apresenta o veterano lateral-esquerdo Roberto Carlos, que chega para ajudar o clube a conquistar a Taça Libertadores da América no ano do centenário do clube. Mais de cinco mil pessoas estão no Parque São Jorge debaixo de sol inclemente para acompanhar a entrevista coletiva do jogador. A Folha de S. Paulo chama a atenção para o evento, destacando “a força das torcidas organizadas do clube, em particular a Gaviões da Fiel e a Pavilhão 9”. A propósito, Roberto Carlos entra no gramado segurando uma camisa, um boné e uma faixa da Gaviões. Ora, ele vai jogar pelo Corinthians ou na Gaviões da Fiel?
Não se trata, aqui, de analisar o aspecto psicológico que leva os integrantes das torcidas organizadas a agirem da forma que agem. Especialistas já disseram tudo que havia para dizer sobre isso. O que interessa, neste caso, é tentar entender o porquê destas organizações terem tanta influência na política interna dos clubes de futebol. Talvez, a primeira explicação resida na relação promíscua que as diretorias dos clubes mantêm com as torcidas. Elas recebem ingressos de graça, financiamento para viagens para acompanhar jogos do time em outras cidades e estados, subsídios para atividades de caráter, digamos, social, entre outras benesses. Em troca, apoio incondicional ao dirigente de turno.
Este tipo de relacionamento não encontra paralelos em outros países. Na Europa, por exemplo, as torcidas organizadas restringem sua atuação às arquibancadas, torcendo e cantando em apoio aos jogadores. São violentas? Não restam dúvidas. Têm histórico de racismo? Na Itália e Alemanha, principalmente. Mas, o que importa é saber que elas se auto-financiam; desenvolvem atividades que lhes permitam obter recursos financeiros para bancar seus custos. E se querem intervir nas disputas políticas das agremiações, seus integrantes se associam ao clube.
No Brasil, ao contrário, boa parte dos integrantes não é associada do clube de coração, mas, sim, da torcida; e, no entanto, se julgam no direito de intervir na vida política e administrativa dos clubes. E na maioria das vezes, valendo-se de expedientes espúrios: violência, chantagem, achaques e intimidações de toda ordem. Para obter recursos, as torcidas organizadas dos clubes brasileiros também comercializam um amplo mix de produtos em que vinculam sua imagem com a do próprio clube, sem pagar nenhum um centavo por isso.
Todas as vezes em que uma ou outra torcida protagoniza um ato de violência extrema, autoridades, governos e os próprios dirigentes de clubes vêm a público cobrar soluções; e a panacéia de sempre é o endurecimento da legislação. Não há a necessidade de novas leis ou aperfeiçoamento das já existentes: basta aplicá-las e aprender com os exemplos que vêm de fora.
No estádio Heysel de Bruxelas, em 29 de maio de 1985, na final da Copa da Europa, o futebol viveu uma das grandes tragédias de sua história: morreram por asfixia e esmagamento 39 torcedores (32 italianos) que se encontravam nas arquibancadas ocupadas pelos torcedores italianos, depois de uma carga de seus rivais ingleses antes de iniciar a final.
Por conta deste episódio, os clubes ingleses foram proibidos de disputar campeonatos promovidos pela UEFA por cinco anos. Neste período, as autoridades de sua Majestade, a Rainha Elizabeth II, adotaram medidas duras para coibir a violência nos estádios de futebol. Atualmente, o campeonato inglês é considerado um dos mais disputados do mundo e forte financeiramente. Os clubes voltaram às disputas européias e vem obtendo resultados consideráveis.
A Copa do Mundo de 2014 será no Brasil, antes, porém, é preciso equacionar e solucionar o problema da violência nos estádios, para que voltem a ser o que sempre foram: palco para jogadores talentosos desfilarem seu talento pelos gramados, com festas de cores e sons vinda das arquibancadas.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
A carta ao leitor e o TCU
Em sua primeira edição do ano, a maior (?) revista semanal do país trouxe, escondida acima do nome, chamada para matéria sobre o "relevante" papel que o Tribunal de Contas da União (TCU) vem desempenhando nos últimos anos. O texto da chamada é bastante interessante: "como o TCU impede que o nosso dinheiro vá para o bolso dos malandros". A matéria em si seria irretocável, se não fosse por um pequeno detalhe: está totalmente focada em obras do governo federal atualmente "na mira" daquele órgão fiscalizador, braço auxiliar do Congresso Nacional. Talvez também seria o caso de mostrar se o furor fiscalizatório do TCU sempre esteve presente em sua história; ou se é coisa recente. Não se questiona, de forma alguma, a necessidade de órgãos fiscalizadores que garantam a correta aplicação dos recursos públicos. No entanto, não se pode usar "dois pesos e duas medidas". Além disso, se o assunto fosse mesmo relevante, mereceria a capa.
Mas, a parte mais interessante não está na matéria propriamente dita, e sim na Carta ao Leitor (eufemismo que designa o editorial daquela publicação). Ali, escondida no cipoal elogioso ao papel tribunal, está escrito que ele é bem diferente de seus congêneres estaduais, mais por aquilo que estes não fazem: fiscalizar a aplicação do dinheiro público. Assim como a pirotecnia do TCU recebeu tratamento nobre, os que os TCE's deixam de fazer também deveria ser pauta da publicação. A começar pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, que ninguém sabe se funciona. Ou será que a sigla partidária que governa o estado há mais de dez anos é motivo para que o TCE paulista seja acéfalo?
Mas, a parte mais interessante não está na matéria propriamente dita, e sim na Carta ao Leitor (eufemismo que designa o editorial daquela publicação). Ali, escondida no cipoal elogioso ao papel tribunal, está escrito que ele é bem diferente de seus congêneres estaduais, mais por aquilo que estes não fazem: fiscalizar a aplicação do dinheiro público. Assim como a pirotecnia do TCU recebeu tratamento nobre, os que os TCE's deixam de fazer também deveria ser pauta da publicação. A começar pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, que ninguém sabe se funciona. Ou será que a sigla partidária que governa o estado há mais de dez anos é motivo para que o TCE paulista seja acéfalo?
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