quinta-feira, 22 de julho de 2010

Lula diz que democracia fica mais representativa e justa com Estatuto da Igualdade Racial

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, durante cerimônia de sanção do Estatuto da Igualdade Racial, que o país passará a ser mais justo com a entrada em vigor do texto, que prevê garantias e o estabelecimento de políticas públicas de valorização para os negros.
“A democracia brasileira parece mais justa e representativa com a entrada em vigor do Estatuto da Igualdade Racial. Estamos todos um pouco mais negros, um pouco mais brancos e um pouco mais iguais”, discursou Lula, no Itamaraty, para uma plateia formada, em sua maioria, por representantes de diversos movimentos que lutam pela questão da igualdade racial.
Lula ressaltou que seu governo foi duramente criticado por defender a "agenda dos desafios da igualdade racial” e lembrou que, “os críticos de sempre”, chegaram a ingressar com ações no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a política de cotas nas universidades públicas. "O que construímos nesses sete anos e seis meses foi uma sólida ponte entre a democracia política e a democracia social".
Mas agora, no período eleitoral, acrescentou Lula, mesmo os críticos mais duros não contestam essas medidas. “Agora, às vésperas das eleições, ninguém mais contesta. Nem sempre foi assim e a sociedade enxerga a distância entre o que se dizia antes e o que se diz agora. Quantas vezes não fomos criticados por trazer a agenda dos pobres para dentro o governo”, criticou o presidente, acrescentando que, durante o seu governo, mais de 20 milhões de pessoas deixaram a linha da pobreza e passaram para a classe média.
“Fomos criticados duramente por isso e fomos desdenhados pelos críticos de sempre. Os desafios da desigualdade ainda são tratados como um falso problema e uma questão menor do desenvolvimento e da democracia. O mesmo se deu na luta contra a fome no Brasil”, disse Lula.
O presidente ainda minimizou as mudanças no estatuto durante a tramitação no Congresso, como a retirada da política de cotas. “Vocês não perderam nada, ganharam e ganharam muito”, afirmou.
O presidente da Rede de Cursinhos Populares Educafro, frei David Raimundo dos Santos, também acredita que, apesar das mudanças, o Estatuto da Igualdade Racial representa um avanço na questão das políticas de igualdade racial no Brasil. “As mudanças são o retrato da falta de dimensão política que a comunidade negra não conseguiu construir nesses 510 anos de Brasil”, argumentou.
“Cedemos o dedo para não perder o braço. O que sobrou, é superior à força política que a sociedade negra possui”, acrescentou frei Davi. Ele acredita que a comunidade negra precisa aproveitar as eleições para aumentar sua representação política nas esferas estaduais e federal.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

O que você faria?

Assista o vídeo e, depois, sozinho, de forma bem pessoal, responda a si mesmo o que faria se estivesse nesta situação.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Um tiro na intolerância

Em uma votação apertada e histórica, por 33 votos a favor, 27 contra e 2 abstenções, o Senado argentino aprovou na madrugada da quarta-feira, 14 de julho, o casamento entre homossexuais. Com a decisão, além do matrimônio, as pessoas de mesmo sexo também terão direito à adoção e à herança. Durante as mais de quinze horas de debate entre os senadores, uma multidão concentrou-se do lado de fora da Câmara Alta do país vizinho.
De um lado, católicos e evangélicos, numa aliança insólita, protestavam duramente contra o projeto do poder Executivo da Argentina. De outro, organizações defensoras dos direitos dos homossexuais, dos direitos humanos e associações políticas ligadas ao governo da presidente Cristina Kirchner, faziam o contraponto e pressionavam os parlamentares a votarem a favor do projeto.
Analistas políticos dizem que a aprovação do projeto ampliou ainda mais a fenda que separa a Argentina. O Arcebispo de Bueno Aires, cardeal Jorge Bergoglio, conclamou uma campanha contra a nova lei, definida por ele como uma "Guerra de Deus". Em resposta à iniciativa, Cristina Kirchner atacou: "Eu não estava de acordo com o discurso que girava em torno do debate. O fato de que se falasse de guerra de Deus, por exemplo, mostrava um radicalismo que não era positivo de nenhuma maneira."
Para muito além das implicações políticas que a aprovação do projeto possa ter sobre a sociedade argentina, é necessário analisar a história votação para fora das fronteiras da Argentina. A influência que poderá ter nos outros países da América do Sul, sobretudo, o Brasil, onde haverá eleições em outubro, é o que deve contar neste momento.
Se as organizações religiosas (católicos, evangélicos, etc.) já estavam se articulando nas sombras para tentar influenciar o voto dos eleitores, agora, isto se dará às claras. O país assistirá ao desfile de uma centena de pastores-candidatos com mensagem conservadores, reacionárias e intolerantes, do tipo: "vote pela salvação da família bíblica", ou, talvez, "seu voto pode garantir a salvação da família, tal qual Deus a criou", e por aí vai.
Neste clima maniqueísta, o debate sairá prejudicado. Não será possível discutir com um mínimo de seriedade uma realidade que, apesar das reações estáticas e contrárias, teima em mudar muito depressa. A votação do Senado argentino representou um tiro na intolerância. Oxalá, tenha sido o de misericórdia.

domingo, 13 de junho de 2010

Solidariedade aos goleiros

Enquanto as expectativas do mundo todo estavam todas voltadas para as perfomances de jogadores como o argentino Messi, o português Cristiano Ronaldo, o inglês Rooney, o brasileiro Kaká, eis que dois goleiros chamam a atenção neste início de Copa do Mundo por terem protagonizado os dois lances mais falados até agora. Green, da Inglaterra, e Faouzi Chaouchi, da Argélia, tomaram o famoso frango nas partidas contra os Estados Unidos e Eslovênia, respectivamente.
O goleiro é o mais solitário dos jogadores em campo. Mesmo quando sua equipe marca um gol, ele comemora sozinho do outro lado. É costume dizer que, a posição do goleiro é tão amaldiçoado que onde ele pisa nem grama nasce. Isto, porém, não nos impede de reconhecer a sua importância para o jogo de futebol. O goleiro também é responsável por lances que costumam entrar para a história. Quem não se lembra da defesa de Gordon Banks da Inglaterra em uma cabeçada de Pelé na Copa de 1970? Ou da sequência de defesas incríveis do uruguaio Rodolfo Rodrigues, em uma partida entre Santos e América de Rio Preto na Vila Belmiro, nos anos 80?
Apesar de tudo isso, às vezes o imponderável acontece, e aqui e ali acontece um frango. Faz parte do jogo e podemos classificá-lo como acidente de trabalho. Que os goleiros Green e Faouzi Chaouchi levantem a cabeça. A Copa está só começando. Novos frangos virão.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Crítica açodada

Nunca uma reunião do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), como a realizada na terça-feira, 8 de junho, foi tão ansiosamente aguardada pela mídia brasileira. Ansiosos pelo resultado, os analistas consevadores não esconderam o riso quando a votação terminou: com doze votos a favor, dois contrários (Brasil e Turquia) e uma abstenção (Líbano), o CS aprovou novas e mais duras sanções ao Irã, por conta de sua resistência em abandonar seu programa nuclear que, alegam os países ocidentais, é um caminho escancarado para a fabricação de artefatos atômicos.
Nem tanto pelo resultado em si, previsível, mas, mais por supostas consequências que as novas sanções poderiam acarretar para o Brasil, que articulou, juntamente com o Turquia, um acordo pelo qual o governo iraniano concordava em depositar urânio de baixo enriquecimento em solo estrangeiro, e em troca, receberia material enriquecido o suficiente para tocar seu programa para fins pacíficos.
Jornais como O Estado de S. Paulo e O Globo apressaram-se em dizer que a decisão do CS isolava o Brasil no mundo. Estas manchetes, no entanto, não resistem a uma simples comparação com opiniões emitidas por publicações internacionais de prestígios, que observam que o governo brasileiro tinha razão ao afirmar que as sanções não irão produzir os resultados esperados.
Publicações européias e americanas afirmam que as sanções não devem produzir mudança na posição do governno iraniano e que a decisão do CS não exclui a necessidade de novas medidas no futuro próximo.
A tese de isolamento brasileiro é puro ranço e picuinha. E parte de setores da imprensa que não admitem a possibilidade de inserção do país na comunidade internacional de modo soberano e independente. Ainda preferem o caminho da subserviência e da genuflexão nas relações internacionais.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

O celibato está na berlinda

Um dos dogmasda Igreja Católica, o celibato, encontra-se sob fogo cerrado. A castidade, ao lado da obediência e da pobreza, é um dos três votos que o candidato a clérigo deve submeter-se. Mas, a descoberta de milhares de casos de pedofilia envolvendo membros do clero no mundo inteiro trouxe questionamentos sérios à obrigatoriedade do padre ser casto. Os críticos apontaram o celibato como uma das causas da pedofilia.
Ao contrário do que se possa pensar, no entanto, a castidade não nasceu com a própria Igreja. Em termos históricos, ela é relativamente jovem - tem apenas cinco séculos -, levando-se em consideração que a igreja tem mais de dois milênios.
A primeira menção ao celibato obrigatório surgiu no Concílio Regional de Elvira, na Espanha, em 304. Era a forma escolhida pelos bispos da região para "selecionar" aqueles que queriam ser sacerdotes. Na Idade Média, a castidade passou a ser conveniente para a Igreja manter intacto seu patrimônio material, evitando que descendentes levassem terras e outros bens deixados por sacerdotes. Algo puramente venal e nada espiritual.
O Segundo Concílio de Latrão, em 1139, ampliou o celibato para todo o Ocidente. Mas, só em 1563, no Concílio de Trento, ficou estabelecido que o rompimento do voto de castidade seria punido com a excomunhão.
O conflito com o celibato na Igreja é um dos grandes desafios do sacerdócio. Perturba padres há séculos - pelos menos 39 papas casaram e tiveram filhos - e continua a ser um dos problemas mais sérios do Vaticano. O cerco, porém, está se fechando cada vez mais.
Representantes de um grupo de mulheres que dizem ter relações sentimentais com sacerdotes católicos divulgaram uma carta que enviaram ao Vaticano para pedir o fim do celibato para os padres. O grupo é formado por cerca de 40 mulheres de várias cidades da Itália, que tiveram ou ainda têm um relacionamento com padres católicos. "Estamos acostumadas a viver de forma anônima os poucos momentos que os padres nos concedem e vivemos diariamente o medo e as inseguranças dos nossos homens, suprindo suas carências afetivas e sofrendo as consequências da obrigação do celibato", diz o texto da carta enviada a 150 órgãos de imprensa italianos.
Apesar de o grupo ter cerca de 40 mulheres, apenas três tiveram coragem de assinar a carta: Antonella Carisio, Maria Grazia Filipucci e Stefania Salomone. As outras preferiram continuar no anonimato.
Stefania Salomone disse à BBC Brasil que, por estarem próximos do Vaticano, todos se sentem amedrontados. "As mulheres, os padres e as pessoas que sabem dos casos preferem não falar. Por causa disso é difícil que na Itália exista uma verdadeira associação, como existe na França, na Suiça ou na Espanha", diz.
Quando um caso é descoberto, a primeira providência do Vaticano é transferir o padre de paróquia, que deixa para trás uma mulher que arriscou tudo para viver um amor sabidamente proibido.
Antonella Carizio, de 42 anos, divorciada, com um filho de 15 anos, viveu esta experiência. Ela conta que, durante dois anos, se relacionou com um padre brasileiro. Depois que o caso veio à tona, o sacerdote foi mandato de volta para o Brasil. "Tenho certeza que ele quis voltar ao Brasil para colocar um fim no nosso relacionamento, que foi muito intenso", lamenta.
Antonella avalia que os sacerdotes não tem o apoio necesário para enfrentar os problemas ligados à sexualidade e aos sentimentos. "Nos seminários ensinam apenas a excluir os sentimentos da própria vida e criar uma parede entre si e os outros. Como podem entender certas situações que nunca viveram?", questiona.
Dificimente um padre que se envolve com uma mulher abandona o sacerdócio. A maior parte prefere ter as duas coisas, pois não suportam deixar de ser ministros sagrados para entrar na rotina do casamento.
O Vaticano precisa encontrar de maneira urgente uma fórmula para resolver a equação, porque a cada ano aumenta mais o número de padres que abandonam a batina para se casar. Um estudo publicado pela revista italiana Civiltà Católica, da Ordem dos Jesuítas, aponta que em 40 anos, de 1964 a 2004, 69 mil padres deixaram o sacerdócio no mundo. A maior parte dos pedidos de dispensa, de acordo com o estudo, deve-se a situações de instabilidade afetiva.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Que bandeira é esta?

A data bem que poderia passar em branco, mas, agindo assim é o mesmo que aceitar este passado escravocrata e este presente racista. Só para constar, os últimos versos do Canto IV do épico Navio Negreiro, de Castro Alves. A grafia é a mesma da época que em foi escrito. Não precisa mais.

IV
Existe um povo que a bandeira empresa
P'rá cobrir tanta infâmia e cobardia!
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em anto impuro de bacante fria!
Meu Deus! Meus Deus! Mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?
Silêncio. Musa...Chora, e chora tanto
Que o pavilhão se lave com teu pranto!
Auriverde pendão da minha terra,
Que a Brisa do Basil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas dividas da esperança...
Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança,
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!

Fatalidade atroz que a mente esmaga!
Extingue nesta hora o brigue imundo
O trilho que Colombo abriu nas vagas,
Como um íris no pélago profundo!
Mas é infâmia demais! Da etérea plaga
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo!
Andrada! Arranca esse pendão dos ares!
Colombo! Fecha a porta dos teus mares!